Sobre o destino…

por Jackson S de Jesus

sem_destinoHoje relembrei (com alguma dor e retardo), o quanto às vezes só percebemos os (d)efeitos de algumas decisões depois de algum tempo (o qual geralmente chamamos “tarde demais”), e aí lamentamos; e lamentei…

Mas durante a queda (quando nos permitimos), a cabeça se abre e a gente percebe que nem todas as decisões foram equivocadas, havia alguma prudência lá, talvez torto mesmo o contexto em que estas foram tomadas…De uma forma ou de outra, não se pode fugir a responsabilidade da devida relação entre nossas decisões e o contexto de sua existência, a medida e equilíbrio que tanto buscamos (nem todos, claro)… Só Nossa Senhora da Bicicletinha na causa!

O adágio popular já diz que não é prudente tomar decisões duradouras a partir de contextos (sentimentos) passageiros e tudo isso me fez lembrar sobre destino, essa ideia confusa (para mim) e inescapável na qual depositamos nossas (i)responsabilidades, (nada de decisões hoje, por favor).

Acreditamo-nos donos de tudo (não tenho nada), até alguém por a culpa no destino. Nossos galhos (escolhas) podem (e talvez devam mesmo) ser podados, questão de higiene (mental, física, espiritual…). Mas são nossas raízes (princípios) que nos sustentam (então tenho algo); a culpa talvez não seja do destino…

Graças ao próprio, não escreverei nada grave hoje. Ao que parece ele (o destino) me fez guardar no meu velho caderno de leitura estas linhas de Valdelice Soares e Rubens Alves, melhores escritas do que qualquer pensamento (agora entristecido) que eu aqui rascunhasse…

Existência, de Valdelice Soares Pinheiro

Desenho a mão
que faço
em meu destino,
confuso o pé
que traço
em meu caminho.
Eu sou
na estranha vertigem
dessa estrada,
meu ponto de partida
e de chegada.

Verdade final, de Rubens Alves Pereira

Além de nós existe um mundo, que eu sei
é nosso e o desconhecemos.
Existe algo que arrebata os ventos,
eleva montanhas, explode vulcões
em nossa alma.
E que nos faz incerto, mas seguros
de que nada é nosso,
e que uma vez no mundo, somos
as fatalidades de um destino cego. Surdo.

O que será de nós (pobre de mim)? Talvez  o destino não possa dizer (daí eu [nós] deva[mos] escrever)…

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