Um dia conversando com meu sobrinho, fui questionado pelo meu herói favorito (ele adora o Homem-Aranha). Sem atentar que a pergunta vinha de um garoto de 8 anos da primeira década dos anos 2000, respondi sem pestanejar, Tulkas(!); e me pus a falar sem freios sobre ele, até perceber que meu pobre sobrinho nada sabia sobre meu herói preferido (ele esperava que eu também gostasse do Homem-Aranha, e até gosto)…

Então fui obrigado a voltar e fazer uma breve apresentação do meu herói favorito. Tulkas era (ou é ainda, rs) um Valar (um Ainur que desceu para habitar Arda)… Diante da grande interrogação na cara de meu sobrinho, fui obrigado a parar novamente e explicar que Ainur era um tipo de anjo e que Valar era o nome dados aos anjos que desceram a Terra, chamada Arda, para cuidar de sua construção e manutenção (tudo isso bem rapidamente porque queria chegar logo na parte seguinte, rs)…

Continuando, Tulkas era (ou ainda é) o cara! Seu sobrenome é (vou dizer que é para acabar com os parênteses e a especulação, rs) Astaldo, o valente! Pelo nome já da para saber que o “cabra” deve ser nordestino (ou seja, é gente boa [nada contra os sudestinos]), tanto que não precisa de armas (luta apenas com a sua grande força e as próprias mãos) e não cavalga nenhum animal (uma vez que é mais veloz do que qualquer criatura que já passou pela face da Terra). Para completar, o sujeito tem barba dourada, pele corada (igual a você meu tio!) e é incansável (a parte da barba e da pele não é mera coincidência, apesar que não posso dizer [sem me declarar mentiroso] o mesmo do incansável, rs)…

Mas, continuei, não é só por isso que gosto do Tulkas. Segundo seu criador, o escritor Tolkien, meu herói não presta muita atenção ao passado ou ao futuro, e também não tem serventia como conselheiro (apesar de insistirem em me colocar nesta situação). Porém, é um amigo destemido e também é lento, pois o tanto que demora para gostar, demora para desgostar (identificação total). E finalmente, Tulkas foi o único Valar que consegui (ainda que com a ajuda dos outros) vencer Melkor (outro Valar, só que do mal), decepando seus pés e acorrentando-o até o dia em que Ilúvatar (o Criador), retornará para restaurar a paz em toda Arda… (pausa para olhar para o vazio e divagar, rs)…

Enquanto Ilúvatar não vem restaurar a paz em Arda, saber que Tulkas venceu (com a ajuda dos outros) Melkor (lembrando que eles eram irmãos, porque foram criados pelo mesmo deus) me faz ter fé que também posso vencer as maldades impetradas por alguns de meus irmãos (no sentido geral); em resumo, também posso vencer o mal (generalizando, todos podem!). E suspeito que, se não era isso que Tolkien queria dizer, ainda assim é uma hipótese plausível de ser construída a partir da leitura desta sua obra, O Silmarillion; a qual recomendo fortemente a leitura (um de meus livros favoritos). E quando me lembro disso (que ambos eram irmãos), me vem a mente algo que me parece bem importante: que lutar contra o mal não é apenas lutar contra o outro, mas também contra uma parte de nós mesmo. Pois ao que parece, qualquer um dos dois poderia ser mau, se tratando apenas de uma fatalidade Melkor ter escolhido este caminho (e se Tulkas não escolheu o mau e também o venceu, eu também posso, todos podemos)…

Toda obra de Tolkien é repleta de profundas questões filosóficas e existenciais (tanto que há diversos grupos de estudos sobre ela espalhadas pelo mundo), e no próximo artigo eu escrevo um pouco sobre (na minha suspeita opinião, bela) a intrigante concepção de morte tratada por ele…

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