Sobre a menina que sempre sonhava…

por Jackson S de Jesus

Um dia, sem querer, o menino que nunca dormia, de tão perdido que se achava nos seus dias, encontrou (cego) a menina que sempre sonhava; mas não sabia…

Na sua cabeça (cheia de caracóis), ele acreditava que um dia salvaria uma princesa real, o que lhe concederia a condição de príncipe. Mas aconteceu que a menina que sempre sonhava, na realidade o salvaria; tão perdido se achava o menino que nunca dormia…

Na primeira vez que a viu não a enxergou, porém suspeitou nela algo extraordinário (mas deixou passar); a sombra do monstro do mundo ainda preocupava o menino que nunca dormia. Pensou então, “talvez fosse o vento”, mais uma vez transparecendo feliz, no perfume de outono dos cabelos da menina que sempre sonhava; mas ele não o via… havia mesmo era perdido a atenção aguda dos antigos dias.

Mas, subitamente veio o dia em que ele realmente viu (e enxergou com os olhos de coração), então soube; clarividente revelação! Neste dia marcante de tons nublados, a menina que sempre sonhava riu, mas não um riso qualquer e de sempre. Ela riu o seu riso mágico, aquele que nas suas linhas e sons, portava toda a pureza do universo! Salto veloz para as nuvens do céu e queda displicente (leve como uma pena que cai) para o horizonte sem fim, no meio de tudo, o brilho da luz dos primeiros dias. “E fez-se a luz…”, pensou o menino que nunca dormia, tentando congelar com palavras o riso que viu; mas não conseguia.

Então, o menino que nunca dormia, de boca aberta e sem graça, mesmo sem saber soube: acabara de ser salvo pela menina que sempre sonhava, e seu riso mágico de pureza e alegria (puralegria). Nem importava mais ser príncipe, pois neste riso, com cuidado, se podia ver o dono do céu, resplandecendo e dizendo: “oi, estou sempre por aqui…”

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