Sobre a ausência de um velho amigo…

por Jackson S de Jesus

ausencia.jpegEu tinha um amigo que era o um dos meus melhores, e dos que já conheci, ele era o mais forte, mas ele morreu; morreu em sofrimento de abismo de solidão, culpa, dor e lágrimas; tão indefeso e jovem, esvaziou-se por suas mágoas… Eu gostava muito desse amigo, com ele tive experiências incrivelmente humanas e memoráveis, mas ele morreu. Morreu lentamente de desilusão súbita. Eu já o tinha visto ferido de morte antes, mas ele havia sobrevivido. Porém, desta vez, depois de um retorno, o encontrei mais uma vez ferido, mas não sabia que era de morte até enxergar seu bondoso coração severamente partido, tinha um fenda tão profunda, que chega dava vertigem de ver; e daquela profundidade de ferida, saía alegrias vermelhas em grandes quantidades, a sua vida que se esvaziava, enquanto o resto daquela bondade se congelava, como uma pedra dura de mármore, branco como a neve… doía, só de ver… Ele sofria de dores de culpa, rejeição e tristezas, mas eu ainda tentei o ajudar, na ilusão de uma vã esperança; porém, a desilusão dele era concreto maciço e puro, intransponível e insustentável de manter. Cheguei tarde demais, mas ao menos mantive a minha mão junto a sua, até esperar pelo seu doloroso e derradeiro suspiro. E esperei, ao que pareceu, muito tempo até ver suas pupilas de luz, e de antigas alegrias, vagarosamente se dilatar, restando apenas aquele olhar vítreo fixado para o nada, para mim; enquanto o meu olhar rapidamente se inundava… Choveu, aquela chuva que dói. Morreu meu amigo, seu corpo esfriou, sua respiração suavizou, seu espírito se foi e se apagou, e o silêncio se fez… ausência. Levou com ele suas memórias, sua bondade, sua luz; mas morreu com ele também seu agressor… e deixou a mim, sem saber quem ou por que o machucou, apenas uma sombra de saudades numa imensidão de vazio. E pior de tudo, tristeza maior, não pude enterrar meu amigo, porque esse grande amigo, inexplicavelmente, morava pequeno dentro de mim…

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