riosJuntos

Há muito, muito tempo, havia uma grande planície bela e ampla, repleta de campos verdes que rodeavam uma imensa e formidável floresta, onde tudo era cores, perfumes, sabores e vida! Nesta linda planície, havia também dois rios, que nasciam na mesma nascente, mas tomavam caminhos diferentes, e por isso nunca se encontraram; seguiam cada um seu caminho solitário, um veloz e forte, o outro sereno e calmo. Até que um dia…

Então aconteceu de um grande terremoto (tão grande que pareceu abalar os alicerces da própria terra), deformar totalmente aquela linda planície, e de tal modo que, os leitos desses dois rios foram alinhados lado a lado; eles passaram então a percorrer juntos a floresta da vida, que se assentava sobre a planície do mundo. Em alguns pontos, seus leitos se afastavam por léguas distantes um do outro, mas logo se reencontravam mais a frente novamente.

E assim e por muito tempo, depois do grande terremoto, eles seguiram juntos e lado a lado, conforme a grande planície (agora com alguns vales profundos) e a bela floresta os permitiam seguir. E antes que chegassem ao seu destino final, o grande mar da infinita paz (onde todas as águas se reencontrarão), outro terremoto (mas não tão forte quanto o primeiro) modificou mais uma vez a terra. Porém desta vez, a modificou apenas de tal modo, que os leitos destes dois rios, de tão próximos um do outro, quase se tocavam nas suas superfícies.

E como em resposta ao clamor (para aliviar) das dores de fraturas da terra, do firmamento então veio uma chuva muito forte e torrencial, fazendo que um dos rios transbordasse suas águas de modo que algumas de suas gotas respingaram sobre as águas do outro rio. E este rio, ao sentir o toque na face das águas daquele outro rio, sentiu também todas as suas dores de tristezas e alegrias; e as sentiu tão forte, tão intensamente, que mesmo sem querer, também transbordou. E neste dia suas águas tornaram-se uma só, pois por este curto período de tempo, seus leitos se confundiram num único percurso, até a chuva passar e suas águas voltarem a baixar, e cada um retornar para seu leito próprio de origem; mas (tarde demais), eles já eram um único rio, mesmo que geograficamente separados.

Certo é que até hoje, os dois rios continuam seus percursos, lado a lado até o grande mar da infinita paz (do qual nenhum rio tem total conhecimento). Não houve mais terremotos desde então, e apesar do mundo continuar com sua forma inalterada e alguns vales profundos de tristeza, eles continuam juntos serpenteando a alegre floresta da vida. Porém, depois de provarem cada um da água do outro, os dois rios secretamente ligaram seus leitos pelo subterrâneo de suas superfícies, de modo que, quem os vê superficialmente, seguindo separados, ainda que lado a lado, não podem imaginar que nas profundezas de seus leitos, eles correm abraçados como um único rio, diferentes apenas que, ao mesmo tempo veloz e sereno, forte e calmo…

Para Raquel… com amor.

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3 comentários sobre “Sobre idas e vindas…

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