Sobre aniversários (ou as voltas que a Terra dá sobre si mesma para depois voltar ao mesmo lugar)…

por Jackson S de Jesus

A vida se resume às memórias… daquilo que se quer esquecer e do que não se quer lembrar.
Autor desconhecido.

Daqui a pouco completo 38 anos (precisamente as 4 h da manhã, segundo registro em minha certidão de nascimento), e contrariando algumas indicações, já sou alguns anos mais velho do que meu tio que comigo compartilhou o nome (não lembro, mas acho que ele morreu com vinte e poucos anos). Nós também compartilhamos (em nossa juventude) um contexto de violência parecido, mas ele não teve as mesmas oportunidades que eu tive para aproveitar a dele, e se foi (ou foi levado), e pelos sufocos que já passei, suspeito que só por sorte ainda estou aqui (tentando aproveitar a minha); coisas da vida…

Naquela época (década de 90), era complicado (ao menos par mim) pensar em futuro vendo muitas pessoas da minha idade sendo mortas. Por causa disso eu acreditava (piamente) que não passaria dos anos 2000 (não por causa do fim do mundo, mas por causa do fim do MEU mundo). Porém (e por sorte), sempre contrariando as expectativas, nenhum dos dois mundos acabou, e só por isso você está aí agora, lendo mais um texto meu carregado com velhos tons de melancolia… Mas gosto de me justificar lembrando que

As memórias não são apenas sobre o passado, elas determinam o nosso futuro. (O doador de memórias, de Lois Lowry).

Acho que por isso escrevo assim, mas não faço por mal, garanto (até já ouvi uma tia dizer que eu já nasci velho)…

Falando em velhos (e para mudar o tom deste texto, porque se você chegar na terceira idade, mesmo neste mundo onde talvez ninguém mais consiga se aposentar, ainda assim, tem excelentes motivos para se alegrar), um dia desses ouvi um dizer, em resposta a questão de sua idade, que tinha apenas 20 anos! Fiquei sem entender (pŕe julgando de forma equivocada uma tentativa de piada sem graça), mas logo em seguida, ele assim se explicou: completei 60 anos e se a nossa expectativa de vida não mudar (ou ele não morrer, pensei), me restam por aí mais uns vinte anos para aproveitar essa vida; e ele falava isso como se a sua lógica (interessante por sinal) fosse conhecida por todo o mundo (mas até quele momento eu não a conhecia). Suspeito que ele deva ter alguma razão, nosso relógio parece mesmo contar a menos, como se não tivéssemos mais o tempo que passou (o que podemos fazer com o passado?), apenas o que agora se apresenta (neste exato momento), talvez por isso chamado presente (falando nisso, gosto de livros). Me parece assim o tempo, água que escorre por entre nossas mãos…

Daqui a pouco completo 38 anos e espero (talvez) ter o mesmo tempo (ou mais, quem sabe) de estadia nesta pequena bola azul que teimosamente chamamos de Terra (mesmo ela sendo constituída por 3/4 de água, apesar de entender hoje, que a origem do nome se justifica por outra lógica…). Não sei nada sobre o futuro (nem sobre nada, na realidade, mas entendo de teimosia), mas vou tentar continuar escrevendo durante o período de tempo que me for concedido (aqui na Terra); porque (além de ainda pretender publicar as estórias do menino que nunca dormia) eu sou assim mesmo, meio teimoso, meio texto (e sempre grato)…

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Esta semana recebi uma notificação do WordPress me parabenizando, mas não pelo meu aniversário, e sim pelos meus seis anos de meiotexto; coincidentemente (e sem querer) migrei o blog para cá no mesmo mês de meu nascimento. Eu geralmente não sei dizer em que dia ou data estou (tenho uma hipótese ainda não sustentada de que o tempo é a mais convincente de nossas ilusões), mas sei que seis anos é um período considerável. Vale lembrar que o meiotexto é mais velho do que isso, já que comecei (inicialmente no Blogspot) a publicar em… (breve pausa de dois dias para pensar…) ah, deixa para lá, lembrei que esqueci (ou esqueci que não lembro)…

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Falando em esquecimento, um breve relato que até parece uma anedota (mas não é): em algum ponto perdido da linha do espaço tempo (só sei que era domingo porque estava assistindo corrida de fórmula 1 na TV), uma jovem moça (muito bonita por sinal) chamada Vanessa me perguntou qual a minha idade. Demorei para responder (porque tentava fazer cálculos mentais) e conclui que deveria ter uns vinte e poucos anos. Ela ficou parada me olhando (bem na minha frente), aparentemente esperando algo mais, mas como eu estava concentrado demais na corrida (na verdade estava fingindo), ela desistiu de esperar e me deixou em paz. A noite, quando nossa mãe chegou em casa nos dando parabéns, lembrei que aquele era o dia de nosso aniversário (somos gêmeos de mesma data)! Das outras vezes que havia me esquecido, eu estava sozinho ou trabalhando, sem ninguém que se importasse para me lembrar. É assim minha noção de tempo, mas este ano eu não esqueci:

Feliz aniversário minha irmãzinha do coração! Muita saúde e paz para ti!

Parabéns também (porque por um acaso lembrei) para minhas amigas Janaína Primo e Valdelice Barbosa! Amizade é o melhor dos presentes…

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