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“Na sociedade burguesa, a função da arte sempre foi entreter e distrair.”
Hans-Joachim Koellreuter.

Metido a questionador que sou (dublê de filósofo), sempre que me deparo com alguma afirmação categórica (com esta acima, de nosso ilustre desconhecido Hasns), sem querer, uma voz miúda sussurra na minha cabeça: “…mmm, será…” Então, logo em seguida (e em resposta a esta primeira voz), começo a escutar outras tantas que se avolumam e começam a discutir e aumentar o tom (como um princípio de tumulto) numa enxurrada de perguntas (muitas das quais eu jamais saberei responder) e a coisa fica mais ou menos assim: “E eu que não me sinto burguês (um lascado coitado, etimologicamente, a mesma coisa, na verdade), o que seria a arte para mim? Qual a função da arte? A arte ‘serve’ para quê, ou quem? A arte…”

“Cheeega (baralho)!” Grita aquela primeira vozinha desamparada, mas depois de um breve segundo de silêncio (seguido de breves olhares atenciosos), ela é novamente sufocada pelas outras vozes, numa nova e ampliada confusão e desordem… me restando apenas, por baixo de minha aparente mudez (ainda bem que tudo se passa apenas na minha cabeça), sentar e escrever; que também é uma forma de fazer arte (parte de meu vaidoso ego também se acha escritor)…

Então, um dia desses… pescando aqui e ali pelos grupos do WhatsApp, me deparei com este vídeo (que me pareceu fora de contexto para o grupo em questão). E como configurei o aplicativo para não baixar vídeos automaticamente, abri uma exceção manual (inexplicável pausa) para este… e gostei, porque sem querer, acabei sendo fisgado (e apesar da dor de cabeça, sentei para escrever este post)!

Recorte do vídeo Me curar de mim.

A música (oração) se chama “Me curar de mim”, de uma jovem (antes dançarina e portadora de uma interessante estória…) chamada Flaira Ferro (nome artístico?). Eu realmente gostaria de poder integrar o vídeo no texto, mas como não possuo um plano premium (nem aqui no WordPress nem em lugar nenhum, rs), deixo apenas o link acima. Depois de assistir, se você também gostar, pode ver o vídeo e a estória completa dela neste tocante TED Talk chamado: “Por trás do aplauso”; de onde foi retirado o primeiro recorte (a partir do décimo primeiro minuto, caso queira se localizar).

O meiotexto gostou muito (por isso recomenda), principalmente por me identificar com o tom confessional da autora, além de sua reflexão sobre arte, vaidades e tudo mais… (e agradeço a pequena Joana pela indicação).

***

Falando em confissões… um dos motivos de minha demora em me (estranho essas duas palavras juntas) desconectar do Facebook, foi porque gostava de seguir a página do site Obvious, mas aí (com um tapa na testa) me dei conta de que não precisava ir para o Facebook para depois ir para o Obvious ler os artigos; eu poderia ir direto ao site (era óbvio, apesar da minha desatenção)!

Eu gosto muito do Obvious porque (pausa de algumas horas para pensar…), na verdade confesso que não sei explicar, mas sei que tem alguma coisa a ver com os tipos de textos que leio por lá (meio terapêuticos, sei lá…) e principalmente com a proposta do site: “Um olhar mais demorado”. Em tempos de liquidez pós-moderna (e considerando minha lerdeza natural), um olhar mais demorado me parece algo bastante atrativo…

Então, apesar de meu atual estado de espírito que (querendo ou não) interfere na minha escrita, ainda assim, eu submeti um artigo para a seleção do site afim de poder (quem sabe) escrever por lá também; e apesar de ser um pessimista otimista (ou o contrário, dependendo do dia), estou aguardando o resultado; aparentemente com alguma esperança…

De um modo ou de outro (ou seja, independente de ser aceito ou não pelo Obvious), eu pensei em aproveitar o mote deles (um olhar mais demorado), para usar como uma das características dos textos do meiotexto. A vantagem aqui, será que poderei manter este tom mais pessoal (algo que não é permitido por lá). Espero que dê certo, pois, sempre tento escrever pouco (geralmente fracasso em alguns) para evitar textos longos (quem tem tempo para ler nos dias de hoje?). Mas, como gostei muito da ideia, já estou tentando pô-la (que palavra feia!) em prática neste exato momento (e provavelmente, terei muito o que praticar para pegar o jeito).

Então, por que falar sobre uma possível seleção (ou rejeição) num site de artigos e sobre uma ex-dançarina (agora cantora) num mesmo texto? (Ha ha!) Porque me identifico com o sentimento que ela descreve sobre o papel da arte na sua (minha, nossa) vida. (Como assim cara?) Eu escrevi no início “A arte ‘serve’ para quê…” (de propósito, com a palavra servir entre parênteses) para chamar a atenção na ambiguidade presente na palavra servir. Num primeiro e rápido olhar (o comum), esta palavra pode ser vista com o sentido de ter utilidade (tipo, “O meiotexto não serve para nada!” Já ouvi muito isso). Mas (pausa para pensar), se você der uma segunda olhadela (aquele olhar mais demorado), talvez possa “enxergar” também um outro sentido, aquele de servir a alguém (tipo: “O meiotexto não serve a ninguém!” Será…). E a partir daí, talvez você também chegue a conclusões semelhantes, tipo, que nem sempre é fácil perceber de primeira, algumas nuances discursivas (a forma do texto) e que também, a arte (o conteúdo deste texto), ao que parece, talvez realmente não esteja a serviço de ninguém… uma questão profunda, mas vou parar (boiar) por aqui. Deixe suas impressões nos comentários (se desejar e tiver algumas, claro)…

O fato é que, se você leu o texto dela (vídeo é texto também), vai observar que ela deixa implícita esta reflexão (para ser pensada): a função da arte. Ela também dá a sua resposta pessoal, da mesma forma que eu dou a minha para a questão da escrita, e neste ponto, ambos concordamos que a arte tem a ver com compartilhar experiências (não qualquer experiência, mas experiências humanas significativas, acho…) e também alguma coisa (um pouquinho) de terapia; porque como já disse antes (e nunca me repito), se sentir saudável num mundo insano é um (estranho) sinal de insanidade, e a arte (ao que parece) de algum modo e ao mesmo tempo expõe e nos ajuda sobre isso.

Termino dizendo (uma mentira) que não tenho medo da rejeição (ela é minha amiga desde infância) e que queria compartilhar com vocês sobre a seleção para publicar no Obvious (tipo, vocês serão os primeiros a saber); independente do resultado. E também porque (da mesma forma que a moça do vídeo) tenho essa coisa de sinceridade (fonte de minhas tristezas), a despeito da contradição de minha definição favorita de arte (de nosso amigo Picasso):

“A Arte não é a verdade. A Arte é uma mentira que nos ensina a compreender a verdade”.

Porque no final (como também se questiona nossa amiga do vídeo): o que vai restar de mim (nós) quando não estiver(mos) mais por aqui? No meu caso, apenas estas palavras (bobas); o meiotexto…

***

Guia (de bolso) para a leitura do meiotexto:

Um amigo (sincero) me disse que não gosta de meus textos porque escrevo com muitos parênteses e que toda hora ele tinha (quando lia) que parar para reler as frases. Eu me justifiquei dizendo que, primeiro, não sei quando nem porque comecei a fazer isso (e nem a escrever, na verdade) e segundo, eu gosto de colocar parênteses para de certo modo, “obrigar” (você leitor) a pensar um pouco sobre o que está lendo (pensar, e não a travar sua leitura). Não sei se funciona, mas para minha alegria, outra amiga (também sincera e pragmática) me disse que gosta de minha escrita cheias de parênteses porque ela suspeita que são as vozes de minha cabeça se manifestando (às vezes com ironia, outras com tristeza…) e apesar de não ter pensado nisso até aquele momento, gostei tanto da perspectiva, quanto da sugestão dela: “Basta ler como se os parênteses não estivessem lá, ou fossem vírgulas!” Legal, e de quebra, não sou acusado de plagiar o Saramago (quem dera…).

 

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Um comentário sobre “Sobre a função da arte (ou as vozes da minha cabeça)…

  1. Obrigado por mais um belo texto! Compartilho do gosto pelo Obvius (espero que sua solicitação seja aceita), fui mordida pelo vídeo (me idenfiquei muito) e como pode ver amo seus parênteses (rsrs).

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