Um amigo (sincero) me disse que não gosta de meus textos porque escrevo com muitos parênteses e que toda hora ele tinha (quando lia) que parar para reler as frases. Eu me justifiquei dizendo que, primeiro, não sei quando nem porque comecei a fazer isso (e nem a escrever, na verdade) e segundo, eu gosto de colocar parênteses para de certo modo, “obrigar” (você leitor) a pensar um pouco sobre o que está lendo (pensar, e não a travar sua leitura). Não sei se funciona, mas para minha alegria, outra amiga (também sincera e pragmática) me disse que gosta de minha escrita cheias de parênteses porque ela suspeita que são as vozes de minha cabeça se manifestando (às vezes com ironia, outras com tristeza…) e apesar de não ter pensado nisso até aquele momento, gostei tanto da perspectiva, quanto da sugestão dela: “Basta ler como se os parênteses não estivessem lá, ou fossem vírgulas!” Legal, e de quebra, não sou acusado de plagiar o Saramago (quem dera…).